Você sabe o que são PCBs e como eles afetam a segurança do seu Ômega 3?

Por Leandro Zanutto.

O Ômega 3 que você toma ou prescreve é seguro?

Recentemente foi publicado um guia interessante no Congresso Brasileiro de Atualização em Endocrinologia e Metabologia (CBAEM) em Florianópolis-SC sobre os disruptores endócrinos que nos expomos todos os dias sem nos darmos conta. Link para download do guia: Clique Aqui.

Vale destacar que os Bifenilpoliclorados (PCB), Dioxinas, Furanos e Retardantes de Chamas Bromados amplamente discorridos no guia são mais que disruptores endócrinos. Eles também são conhecidos por seus efeitos tóxicos ao Sistema Nervoso Central, por serem carcinogênicos, por aumentarem a expressão de genes inflamatórios e transcreverem estas alterações por até 2 gerações, e por de aumentarem de forma expressiva a incidência de doenças cardíacas como já demonstrado em centenas de artigos nos últimos 30 anos. Apesar da produção e utilização pelas indústrias de algumas destas toxinas já terem sido banidas no mundo todo há algumas décadas, como é o caso dos PCBs, o nível de contaminação destes produtos nos oceanos ainda está em níveis muito altos.

Isso torna impróprio o consumo frequente de pescados marinhos, frutos do mar e seus derivados como advertido em artigos científicos e por agências de saúde no mundo todo, como a OMS, GOED e a FAO. Estes alertas também valem para os suplementos de Ômega 3 de peixe ou de krill.

As distrações da Indústria

A indústria de suplementos usa distrações de marketing como “livre de metais pesados”, “proveniente de águas profundas e geladas”, “proveniente do Ártico”, “proveniente da Noruega”, “Óleo de Krill”, “Selo IFOS” para desviar a atenção dos profissionais de saúde e de seus consumidores de segredinhos sujos em seus produtos. Retirar metais pesados de um óleo de peixe é uma tecnologia simples e barata empregada desde a década de 80 no mundo todo. A parte difícil e cara no processo industrial é a diminuição destes disruptores hormonais a níveis seguros.

Segurança no consumo de Ômega 3

O que separa um Ômega 3 de boa qualidade de um de má qualidade são as tecnologias empregadas na redução do teor de contaminantes e diminuição no grau de oxidação. Uma das tecnologias mais modernas, a extração por fluído super crítico, é capaz de reduzir os níveis de toxinas do Ômega 3 de peixe a índices extremamente baixos (menos de 2 ng/g no caso dos PCBs). Infelizmente poucos laboratórios se preocupam em empregar este tipo de tecnologia devido ao seu alto custo de aplicação ao tentar se manter um baixo índice de oxidação no produto final. Aliado a este fato, a indústria confia na falta de conhecimento sobre o assunto do consumidor e na falta de exigência de testes específicos das agências reguladoras.

E se você acha que está seguro porquê o seu produto é importado dos EUA ou da Europa, pense de novo. 95% da matéria prima para se fabricar suplementos de Ômega 3 no mundo são provenientes da costa do Peru e do Chile e os outros 5% de algumas outras regiões, todas contaminadas com PCB. Lembre-se que o que vai fazer diferença é a tecnologia empregada pelo laboratório fabricante para se reduzir o índice destes contaminantes a níveis seguros e não de onde ou sob que condições o produto foi extraído.

Averiguando a qualidade do Ômega 3

A única maneira de se atestar a qualidade de um Ômega 3, em termos do seu nível de contaminantes, é através de laudos técnicos de laboratórios independentes, lote a lote. Já tive acesso a laudos de raros produtos de excelente qualidade e a laudos de produtos de péssima qualidade, como os encontrados em farmácias e em lojas de produtos naturais e suplementos.  Enquanto o nível de PCB nestes produtos deveria ser inferior a 5 ng por cápsula, algumas marcas bem populares passam de 200 ng por cápsula com folga. Para se ter uma ideia, os estudos realizados para se testar tolerância à exposição diária a PCBs preconiza não se ingerir mais que 100 ng por dia. Um artigo publicado em 2015 na International Journal of Cardiology, por exemplo, demonstrou que ao se consumir 256 ng/dia de PCB, o risco para doenças cardíacas coronarianas aumenta em 58% quando comparado ao risco da ingestão no nível máximo recomendado de 100 ng/dia.

Algumas marcas se escondem atrás de selos que até testam concentração de PCBs, porém só fazem teste para 7 congêneres enquanto existem um total de 209 congêneres de PCBs encontrados em óleos de peixe. E mesmo testando-se apenas para 7 congêneres de PCB, muitas marcas chegam a níveis de 30 ng por cápsula e ganham selo 5 estrelas destas entidades certificadoras. Isso significa que com apenas 3 cápsulas deste produto você já atingiu a exposição máxima recomendada à esta toxina diariamente, sendo que muitos outros alimentos do seu dia-a-dia também são contaminados com PCBs.

Minha recomendação é: sempre desconfie. Exija do fabricante o laudo técnico do índice dos 209 congêneres de PCBs além dos metais pesados como Chumbo, Mercúrio, Cádmio e Arsênico, realizados por um laboratório independente. E certifique-se de que esta análise foi feita no lote do produto que você está consumindo, pois a concentração de contaminantes varia de lote para lote. Somente assim você estará seguro para consumir seu Ômega 3 de peixe na dose que você precisa.

Quer saber mais sobre como escolher um Ômega 3 de peixe de boa qualidade?