O FALSO DIAGNÓSTICO DAS INTOLERÂNCIAS ALIMENTARES

ALCAT (NuTron), ELISA, Food Detective, YorkTest e IgG sob o microscópio

Por Leandro Zanutto

Testes de intolerância alimentar custam até R$ 3.000,00 no Brasil, não são cobertos pelos planos de saúde e o pior: não funcionam. Entenda o porquê.

Alergia Alimentar vs Intolerância Alimentar

Antes de falarmos dos testes, vamos entender a diferença entre Alergia Alimentar e Intolerância Alimentar. Alergia alimentar é causada por uma reação do sistema imunitário, em alguns casos trazendo riscos à vida do indivíduo (ex: choque anafilático). Já a Intolerância alimentar é causada por um distúrbio metabólico digestivo de um alimento e não traz qualquer risco à vida (ex: intolerância à lactose que leva a desconfortos intestinais – flatulência, cólicas e disenteria). Em suma: a intolerância alimentar não é ocasionada por reação do sistema imunitário enquanto a alergia é.

Menos de 1% dos adultos sofre de alguma alergia alimentar. Mas de repente parece haver um surto de auto-relatos de alergias a alimentos. É no meio da confusão das pessoas entre alergia e intolerância que os exames que se denominam “testes de intolerância alimentar” ganham um grande mercado: eles alegam que os sintomas que as pessoas sofrem em seu dia-a-dia (desde dor de cabeça à má qualidade de sono) são causados por intolerâncias alimentares ocultas.

Uma visão geral dos testes de intolerância alimentar

Os testes de intolerância alimentar variam nas formas de diagnóstico, mas em resumo todos recaem sobre a mesma rotina: o sangue do paciente é testado contra centenas de produtos e aditivos alimentares e resulta numa lista com os alimentos que o paciente tem intolerância baixa, média e elevada. Esses relatórios são levados a sério pelos pacientes que muitas vezes tornam suas dietas não só restritas em variedade, mas deficientes em diversos nutrientes.

Pode um simples exame de sangue identificar tantas intolerâncias alimentares? Quando se trata de intolerância alimentar, os testes sanguíneos são apenas a ponta do iceberg do que é prometido no mercado. Já vi venderem de tudo: de exames de fio de cabelo a exames feitos por máquinas que dizem ser milagrosas como a “VEGA Testing” que por simples medição galvânica do contato da pele com eletrodos do equipamento (chamados também de teste eletrodérmico) conseguiria identificar uma série de doenças do paciente. Nenhum deles tem qualquer comprovação científica ou validade clínica.

No que diz respeito ao assunto deste artigo, em diversos países já são vendidos exames de sangue em forma de kitspara o paciente fazer em casa o próprio teste. Não vai demorar muito pra esse modismo chegar às prateleiras das farmácias brasileiras. Pela Internet já se encontra alguns revendedores desses kits como o “Food Detective”. Já analisei kits que variam entre 150 a 1200 dólares. Nesses kits encontramos alegações como: “Identifique mais de 300 alimentos e aditivos alimentares que podem estar lhe causando sintomas como fadiga crônica, enxaquecas, artrite, hipertensão, lombalgias, depressão, fibromialgia, obesidade, psoríase, acne, diarréia e constipação.”. É fácil entender porque alguém sofrendo de um desses problemas se deixa levar por essa possível solução.

Antes de querermos saber a veracidade dessas promessas, a primeira pergunta que devemos fazer é “Como esses testes funcionam?” e em segundo lugar ”Como foram validados clinicamente e cientificamente?”.

Como são feitos os diagnósticos de alergias e de intolerâncias alimentares?

Diagnóstico de Alergias Alimentares: é feito pela análise das reações imunitárias e a correlação com os seus sintomas. A alergia alimentar clássica é a “Hipersensibilidade Mediada pela Imunoglobulina E (IgE)”. Esta é a que você escuta falar que a pessoa teve um edema de glote minutos depois de comer camarão, ou que teve reações diversas como coceiras e pontos vermelhos espalhados em uma região do corpo, após ingerir certo alimento. São geradas por anticorpos, também conhecidos como Imunoglobulinas (Ig), produzidos pelo sistema imunitário para proteger nosso organismo de corpos estranhos (como vírus, bactérias, fungos e protozoários).

Existem diferentes classes de imunoglobulinas. As IgE (Imunoglobulinas E) ligam-se aos alérgenos (aquele corpo que foi identificado como algo estranho ao organismo) e disparam a liberação de histamina dos mastócitos (na medula óssea) desenvolvendo os quadros de alergias clássicas (a ácaros, a fungos, a medicações, a pólen, a amendoim, a picadas de insetos etc). Esse tipo de alergia normalmente se manifesta em até uma hora após o contato com o fator alérgeno, de forma atópica (asma, rinite, dermatite etc) ou anafilática (que pode ser fatal).

Portanto, uma análise clínica associada aos resultados dos níveis séricos de IgE com exames de puntura (Prick Test) conduzidos por um alergologista, podem fechar um diagnóstico de alergia (alimentar ou a qualquer outro tipo de alérgeno).

Diagnóstico de Intolerâncias Alimentares: existem poucos exames validados cientificamente, uns mais simples (como o teste de tolerância oral à lactose) e outros mais complexos (como o diagnóstico histopatológico da doença celíaca). Para a maioria esmagadora dos alimentos ainda não existe teste realizado por meio de uma simples coleta de sangue. Isso porque intolerâncias alimentares não geram reações imunitárias por definição, elas são simplesmente distúrbios metabólicos digestivos causados por déficits na produção de enzimas no trato digestório.

Como então esses exames – ELISA, ALCAT (ou NuTron), YorkTest entre outros – afirmam medir intolerância a centenas de alimentos? Todos se baseiam em suposições infundadas! Para entender, vamos descobrir o que está por trás destes testes.

Analisando de perto os testes de intolerância alimentar

Os testes mais comumente utilizados no Brasil são o ELISA (Enzyme-Linked ImmunoSorbent Assays) e o ALCAT (Antigen Leucocyte Cellular Antibody Test), ambos testes sanguíneos que alegam identificar diversas intolerâncias alimentares. Se você já conheceu outro teste que promete algo similar, ele provavelmente faz a mesma coisa com um nome diferente.

Esses métodos resumem-se a olhar marcadores do sangue coletado. O ELISA mede os anticorpos IgG específicos para alimentos enquanto o ALCAT analisa a morfologia dos leucócitos que, na teoria do laboratório, aumentariam de tamanho na presença de uma intolerância alimentar. Tomando a premissa como verdadeira, a teoria parece lógica: os anticorpos IgG e os leucócitos fazem parte do nosso sistema imunitário e, se eles reagem à exposição de alimentos, isso deve significar uma reação inflamatória e talvez uma alergia alimentar. Aqui encontramos o primeiro erro por definição: eles chamam de teste de intolerância alimentar (que não envolve o sistema imunitário) ao invés de teste de alergia alimentar (que envolve o sistema imunitário).

Ainda que deixemos a semântica de lado, essas respostas imunitárias não significam reações alérgicas, é o contrário: amplos estudos, publicados em revistas de renome como Lancet e JAMA, já demonstraram que a resposta do IgG aos alimentos indicam tolerância alimentar. Para entender melhor o que isso quer dizer, vamos falar do papel das IgG.

Os exames baseados em IgG (como o ELISA)

As Imunoglobulinas G (IgG) têm diversas funções. Uma delas faz parte da nossa imunidade humoral com a habilidade de reconhecer e remover invasores como bactérias e vírus. É isso que nos impede de ter catapora duas vezes. É como um Anti-Virus instalado em seu computador: ele está imunizado àquela ameaça e já tem o protocolo de como responder a ela quando é atacado, sem causar dano ao sistema.

Você já deve ter feito alguns exames de IgG: o objetivo do seu médico é checar se você já teve contato com certas infecções ou vacinas. As IgG específicas para alimentos são úteis em casos muito raros como, por exemplo, para investigar se um paciente com doença celíaca aderiu a uma dieta sem glúten. Se ele ainda estiver consumindo glúten, suas IgG específicas para Gliadina, Secalina e Hordeína, estarão aumentadas e aí é a hora de puxar a orelha do paciente. Mas só. Isso não determina causa da doença celíaca ou qualquer outro tipo de intolerância alimentar, como alegam esses exames.

As IgG também são responsáveis pela nossa tolerância orgânica: quando o sistema imunitário suprime sua reação a uma substância ou até mesmo ao próprio corpo (prevenindo as infames doenças auto-imunes). Quando a IgG específica a um alimento encontra-se elevada significa exposição a este alimento e não alergia ou intolerância a ele. É por causa das IgG que podemos comer uma variedade de alimentos enorme sem temer nenhuma reação alérgica. Na lógica dos Anti-Virus computacionais, é como uma lista de programas confiáveis que já foi verificada previamente pelo Anti-Virus, não necessitando passar por todo o escrutínio da verificação de confiabilidade do seu código todas as vezes que você rodar aquele software.

Para finalizar o assunto dos exames de IgG, não há qualquer pesquisa que mostre uma correlação convincente entre os níveis de IgG e as manifestações físicas de uma doença, assim como os testes de IgG não são comprovados como um agente diagnóstico para qualquer exclusão ou modificação dietética. Recentemente, em 2013, um estudo conduzido com mais de 20 mil pacientes no International Medical Center of Beijing’s PLA General Hospital demonstrou que IgG não se correlaciona com qualquer tipo de intolerância alimentar e mais uma vez confirmou que apenas determina exposição ao alimento.

Os exames baseados em Análise de Leucócitos (como o ALCAT)

No caso do ALCAT, que tem sua origem no final da década de 1950, a falta de evidências é ainda maior: ele se baseia em estudar reações alérgicas a alimentos pelo tamanho dos variados tipos de leucócitos (as células sanguíneas da série branca) do paciente. A teoria seria partir da análise morfológica dos leucócitos para identificar diferentes tipos de intolerâncias alimentares.

Até meados da década de 90 esse teste foi chamado de “teste citotóxico alimentar”. Após inúmeros artigos demonstrando a inconsistência nos resultados destes exames, os laboratórios que precisavam se manter no mercado mudaram o nome de seus testes, como é o caso do ALCAT. A inconsistência vem do fato que os leucócitos variam diariamente em número, formato e tamanho por diversas razões, independente da presença ou não de um agente alergênico, como um alimento. Ainda em 1974, Lieberman publicou no reconhecido JAMA um estudo com a seguinte conclusão sobre esta técnica: “O teste em si é demorado, dependente de interpretação subjetiva e com resultados diferentes em repetidas tentativas com o mesmo paciente.”.

Ao contrário do que os propagadores do ALCAT afirmam, nunca foi realizado nenhum estudo de larga escala e os poucos que eles utilizam para defender suas hipóteses, não possuem validade diagnóstica.

O interessante é que no website americano do ALCAT eles alegam que os “antigos testes de IgE e IgG não eram muito precisos e davam muitos resultados falso-positivos que levavam as pessoas a cortar das suas dietas diversos alimentos inofensivos para elas”, como se fosse diferente com o ALCAT: são muito comuns resultados dele sugerindo cortar mais de 50 itens da dieta.

Em muitos países o ALCAT passou a ser comercializado com o nome de NuTron após ter sofrido, em 2009, uma série de sanções quanto às alegações prometidas em propagandas. Agora o ALCAT somente pode alegar que é um sistema para testar as reações a diferentes tipos de alimentos e aditivos alimentares, que supostamente poderiam causar intolerâncias alimentares. Além disso, as sanções colocadas são claras em proibir os profissionais de saúde de levantarem qualquer diagnóstico ou tratamento a partir dos resultados obtidos nesses testes. Ainda orientam os profissionais de saúde que optem por prescrever o ALCAT a alertar os seus pacientes que se trata de um teste caro e sem base científica.

É importante salientar que os estudos que tentaram mostrar a eficácia diagnóstica destes testes ou falharam ou não foram validados perante exames padrão ouro, o que significa que não têm validade científica. Os poucos estudos que mostram algum resultado, como o estudo de Atkinson em 2004, não têm validade científica, pois o método científico empregado é repleto de falhas que enviesaram os resultados obtidos.

Especialistas em Imunologia e Associações de Alergia e Imunologia por todo o mundo publicaram notas de posicionamento quanto a esses testes nos últimos 35 anos explicando a falta de relação entre os resultados desses exames e alegações de intolerância alimentar. E vão além: alertam sobre os riscos das restrições alimentares recomendados por estes testes. Para quem tiver interesse deixei ao final deste artigo um apêndice com alguns trechos dessas notas.

Apesar desses alertas, infelizmente no Brasil isso ainda é pouco questionado pelos profissionais que prescrevem esses tipos de exames para seus pacientes. Parece existir uma regra que tudo que sai de moda ou passa a ser proibido nos países de desenvolvidos é escoado como novidades milagrosas para os países em desenvolvimento.

E por que algumas pessoas relatam melhorias após cortarem os alimentos sugeridos por estes testes?

A resposta é bem simples: mais de 60% da população mundial tem algum grau de intolerância à lactose e uma boa parcela sofre de desconfortos intestinais (distenção abdominal) ao consumir produtos com glúten. Como praticamente 90% dos resultados destes testes sugerem às pessoas cortarem alimentos que se encaixam nesses 2 grupos, a chance da pessoa eliminar diversos desconfortos é grande. Outra explicação bastante razoável é que a pessoa que faz um desses testes gastou bastante para realizá-lo, o que demonstra uma disposição para naquele momento ter uma alimentação mais saudável, praticar exercício físico etc. O resultado? Você já sabe.

Conclusão

Este artigo não tem o propósito de demonstrar que não existem intolerâncias alimentares, somente que as ferramentas disponíveis no mercado não cumprem o que prometem: detectar essas intolerâncias. Nos últimos 15 anos que venho estudando sobre alimentação e os efeitos bioquímicos dos alimentos no organismo, aprendi o quanto um paciente pode sofrer com alergias e intolerâncias alimentares, muitas vezes sem diagnóstico ainda disponível. É por isso que é tão fácil para esses pacientes se deixarem levar por alegações de marketing promovidas por esses laboratórios.

Cabe, portanto, aos profissionais de saúde ter bom senso na hora de investigar as alergias e intolerâncias alimentares de um paciente, fazendo uso apenas de instrumentos validados clinicamente para se chegar a um diagnóstico.


APÊNDICE – Notas de posicionamento de Associações de Alergia e Imunologia

  1. Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia: “Alguns testes não são comprovados no que se diz respeito a alergias alimentares específicas. Entre as que não possuem qualquer evidência de validade incluem: provocação-neutralização, exames citotóxicos, testes de resposta muscular (Kinesiologia aplicada), teste de reação do pulso e análise clínica dos tecidos corporais. Medidas de anticorpos de IgG específicas a alimentos também não têm comprovação como ferramenta diagnóstica.”
  2. Academia Americana de Alergia, Asma e Imunologia e Escola Superior de Alergia, Asma e Imunologia: “Exames de IgG e subclasses de IgG para alergias alimentares não possuem relevância clínica, não são validadas, falta controle de qualidade e não devem ser executados.”
  3. Academia Européia de Alergia e Imunologia Clínica: “O teste de IgG4 a diferentes alimentos já foi analisado em larga escala realizando triagem de centenas de alimentos (…) . Porém, muitas amostras mostram respostas de IgG4 positivas sem correspondência clínica a qualquer sintoma. Esses achados, combinados com a falta de evidências convincentes das propriedades da liberação de histamina de IgG4 em humanos, e falta de qualquer estudo controlado no valor diagnóstico do exame de IgG4 em alergias alimentares, (…) Sua presença não deve ser considerada como um fator que induz hipersensibilidade, mas sim como um indicador de tolerância imunológica, ligada à atividade das células T reguladoras. (…)”.
  4. Câmara dos Lordes de Ciência e Tecnologia do Reino Unido: “(…) o teste de anticorpos IgG a alimentos está sendo utilizado para diagnosticar intolerância alimentar na ausência de rigorosa evidência científica. (…) Nós incitamos aos profissionais de saúde, farmacêuticos e caridades a não endossarem o uso desses produtos até que provas conclusivas de sua eficácia tenham sido estabelecidas.”
  5. Departamento de Pediatria do Hospital Universitário Nacional em Singapura: “(…) Assim, alguns médicos optam por tal modalidade para diagnosticar alergias. Infelizmente, a determinação de anticorpos IgG específicos séricos não correspondem aos testes de tolerância alimentar oral. (…) Além disso, a maioria das pessoas desenvolvem anticorpos IgG aos alimentos que consomem, e esta é uma resposta imunitária normal indicando exposição mas não sensibilização alérgica. Estudos recentes mostram que a resposta de IgG pode ser inclusive protetora, e assim previne ou protege contra o desenvolvimento de alergias alimentares mediadas por IgE. Consequentemente, não existe nenhuma evidência convincente que sugira que este teste tenha qualquer valor diagnóstico para alergia.”
  6. Departamento de Pneumologia e Imunologia Pediátrica do Hospital Universitário Infantil Charité em Berlin: “A determinação de anticorpos IgG específicos séricos não correspondem ao teste de tolerância oral alimentar. Em comprovada intolerância à leite de vaca por teste de tolerância oral, não foram encontrados quaisquer alterações nos anticorpos IgG. (…) Além disso, não existe nenhuma evidência que as subclasses de IgG ou que a razão IgE/IgG4 são ferramentas de diagnóstico confiáveis. (…) Desde que os anticorpos IgG específicas a antígenos dietéticos comuns podem ser detectados em indivíduos saudáveis e em doentes, a determinação das IgG específicas para alimentos não possuem qualquer relevância clínica e não devem fazer parte da construção de um diagnóstico de alergia alimentar.”
  7. Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (EUA):“Procedimentos não-padronizados e não comprovados: (…) não utilizar os seguintes testes não padronizados para a avaliação de alergias alimentares mediadas por IgE: – Liberação / Ativação de histamina por basófilos; – Estimulação de linfócitos; – Termografia facial; – Análise de suco gástrico; – Provocação alergênica endoscópica; – Análise de cabelo; – Kinesiologia aplicada; – Provocação-neutralização; – Alérgeno de IgG4 específico; – Ensaios citotóxicos; – Teste eletrodérmico (Vega); (…) ”.
  8. Sociedade Australiana de Imunologia Clínica e Alergia (ASCIA):“Não existe qualquer evidência confiável que medir anticorpos IgG seja útil no diagnóstico de alergias ou intolerâncias alimentares, nem que anticorpos IgG causem sintomas. (…) o uso inapropriado de testes de alergias alimentares (ou interpretação errada dos resultados) em pacientes com alergia respiratória, por exemplo, pode levar a restrições dietéticas inapropriadas e desnecessárias com implicação nutricional particular em crianças. Apesar de estudos mostrando a inutilidade desta técnica, ela continua a ser promovida pela comunidade, até mesmo para o diagnóstico de distúrbios pelos quais nenhuma evidência de envolvimento do sistema imune existe.”.
  9. Sociedade de Alergia da África do Sul: “Nós somos constantemente consultados por colegas, financiadores e profissionais de saúde a respeito da confiabilidade e adequação dos testes de alergia alimentar ALCAT e IgG para pacientes com suspeitas de alergias e outros distúrbios. (…) Até a data atual nem o ALCAT nem o IgG mostraram ter qualquer valor de previsibilidade no diagnóstico de alergias ou intolerâncias. (…) Apesar das IgG desempenharem um papel nas respostas alérgicas, não existe qualquer evidência para sugerir que ela tem um valor diagnóstico em predizer alérgenos alimentares ou outras substâncias que podem estar afetando indivíduos. O teste de IgG também é comercializado como eficaz em prever alimentos que implicam em Distúrbio de Déficit de Atenção e Obesidade. Não existe qualquer evidência publicada para essas alegações. ”

Referências Bibliográficas e Bibliografia

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