Coronavírus e dieta

Por Leandro Zanutto

Com o risco iminente de uma crise mundial na saúde pública e privada, frente ao crescimento acelerado da pandemia atual, existe algo em sua dieta que pode lhe oferecer proteção contra COVID-19? Sim e Não.

No complexo e vasto universo da imunidade não existem respostas simples, mas entendê-lo um pouco melhor pode ajudar você a utilizar estratégias nutricionais para criar um ambiente orgânico favorável à otimização do seu sistema imunológico, aumentando suas chances contra doenças infecciosas.

Entendendo a Imunidade

De forma simples, a imunidade envolve os mecanismos do organismo que: i) monitoram o crescimento de células anormais; ii) desenvolvem tolerância a substâncias inofensivas, como nutrientes e suas próprias células saudáveis; iii) o defende contra invasores patogênicos, como vírus e bactérias; e iv) que regeneram os danos causados às suas células por processos inflamatórios. Ela é orquestrada pelo sistema imunológico, que compreende o sistema inato e o adaptativo. Seus nomes são auto descritivos, como veremos a seguir.

Sistemas Imunes Inato e Adaptativo

O sistema imune inato é assim denominado por estar presente desde a formação de suas primeiras células e nasce com você. É dito não ter “memória”, visto que ele não aprende à medida que é exposto a um invasor. Apesar de ser bastante primitivo, ele reage de forma imediata e uniforme a diferentes tipos de ataques. Por isso acaba sendo frequentemente a primeira linha de defesa do seu corpo contra invasões e lesões.

Quando o sistema imune inato não consegue defender seu organismo contra um ataque, o sistema imune adaptativo, que é mais sofisticado, entra em ação. Este por sua vez, não se encontra presente até seu nascimento. É uma imunidade adquirida, baseada em reconhecimento de padrões, onde o sistema vai aprendendo a se defender de certos tipos de invasores e criará células de memória dessa “guerra biológica”.

Na primeira exposição a um novo invasor, o sistema imune adaptativo demora para aprender. Porém, uma vez aprendido, em uma segunda exposição ao mesmo tipo de invasor, mesmo anos após a primeira, o reconhecimento é imediato e a resposta muito mais eficaz. É por isso que algumas doenças só se contrai uma vez na vida e é assim também que atuam as vacinas na prevenção de outras.

Entendendo as etapas da imunidade

Como introduzido neste artigo, a imunidade compreende um universo bastante complexo onde partes dele ainda têm sido exploradas pela ciência. Envolve barreiras físicas e químicas complexas. As estruturas químicas envolvidas em nossa imunidade que mais têm sido alvo de pesquisas nos últimos anos foram descobertas pelo Dr. Charles Serhan, PhD, na Universidade de Harvard. Seus mecanismos têm sido desvendados nos últimos 7 anos, tendo como um dos marcos de partida um artigo publicado por seu descobridor, Dr. Serhan, na Nature em 2014. Elas têm a sigla de SPMs, ou Mediadores Especializados Pró-Resolução, atuantes em várias atividades do nosso sistema de defesa, principalmente em suas etapas intermediária e final: a RESOLUÇÃO da inflamação.

De forma simples, a imunidade contra infecções começa na identificação de corpos estranhos no organismo. A este evento as células disparam um processo inflamatório que é mediado por estruturas intracelulares, conhecidas como prostaglandinas, leucotrienos e citocinas. Essa inflamação é conhecida como Inflamação Aguda, ou Clássica. É uma inflamação “boa” pois defende você de lesões às suas células. Porém, após uma intensa atividade da inflamação aguda, haverá danos às suas células que precisam ser reparadas. Quando isso não acontece, elas passarão a ter seu funcionamento prejudicado. Neste novo tipo de inflamação, a Inflamação Crônica, os danos não resolvidos se acumulam ao longo de meses e anos, eventualmente levando os tecidos afetados à fibrose associada a diversas doenças crônicas.

A regeneração de tecidos danificados pela “guerra” travada contra esses invasores é mediada pelas SPMs descritas anteriormente, divididas em quatro classes cuja a mais importante são as Resolvinas. No final, o objetivo do seu sistema imunitário é travar uma guerra contra o inimigo, retirar os escombros dessa guerra e reconstruir os tecidos danificados. Isso levará as suas células aos “tempos de paz” conhecidos na área da saúde como homeostase, que descreve o funcionamento estável das funções orgânicas.

Vale adiantar que tanto as Prostaglandinas e Leucotrienos inflamatórios, quanto as Resolvinas, são sintetizados pelas suas células a partir de ácidos graxos encontrados na alimentação do ser humano, como veremos mais adiante.

Imunidade alta e Imunidade baixa

A imunidade otimizada leva à homeostase e é dependente do equilíbrio dinâmico entre inflamação e resolução. Uma imunidade muito alta não é algo bom pois isso se traduz em inflamação muito intensa e pouca resolução. Esse desequilíbrio está associado a inúmeras doenças crônicas não transmissíveis, como o diabetes, doenças cardiovasculares e doenças autoimunes, onde o seu organismo está gerando mais inflamação e, consequentemente, mais danos aos tecidos do que ele dá conta de resolver (regenerar). O contrário também é ruim, pois uma imunidade muito baixa significa uma resposta inflamatória insuficiente, o que aumenta o risco de você não combater os invasores microbianos aos quais você está sendo exposto.

Se você tem uma doença crônica não transmissível como as descritas anteriormente e ainda associa o uso de medicações imunossupressoras, anti-inflamatórias ou que diminuem as barreiras físicas do seu sistema imune inato, como os antibióticos fazem no seu intestino, você está aumentando o risco de deprimir sua imunidade. É por isso que o COVID-19 tem maior chance de se manifestar em suas formas mais severas em idosos, visto que esse grupo tem mais incidência dessas doenças citadas, usa muitos medicamentos e assim a sua capacidade de reagir a infecções e gerar resolução da inflamação está reduzida.

COVID-19 e seu sistema imunológico

Até onde se sabe, a humanidade está pela primeira vez exposta a um novo tipo de coronavírus altamente contagioso, o Sars-Cov-2, que pode levar às formas mais graves da síndrome respiratória aguda severa, a COVID-19. Ainda é muito cedo para se dizer detalhes a respeito da identificação e resposta inflamatória a esse vírus pelo sistema imunológico. Mas como é a primeira vez que estamos sendo expostos, o nosso sistema imune adaptativo não responderá muito rápido a esse vírus e sequer sabemos ainda se o aprendizado pelo sistema imune adaptativo, contra variações futuras dele, ocorrerá. O que se sabe é que em grupos populacionais com saúde mais vulnerável, em especial idosos portadores de doenças inflamatórias crônicas não transmissíveis, ou cuja imunidade encontra-se mais baixa, o risco da doença respiratória escalar para seu nível mais severo é alto. O uso de medicações que deprimem de forma direta ou indireta suas respostas imunitárias também pode diminuir suas defesas contra esse vírus, bem como a capacidade de resolução da inflamação causada pelas infecções. Por isso é imperante não utilizar medicações sem orientação de seu médico.

COVID-19 e as medidas estatais

Por se tratar de um vírus de contágio muito veloz e silencioso nos primeiros dias de exposição, as primeiras medidas estatais para proteger a população de maior risco estão sendo o isolamento e o fechamento de fronteiras. É improvável que consigamos parar em definitivo a progressão do contágio, devido às suas características. Mas se conseguirmos reduzir a velocidade de propagação, existe uma boa chance de não colapsar os sistemas de saúde, como está ocorrendo na Itália atualmente devido à falta de leitos e ventiladores mecânicos em meio a uma demanda muito alta repentina. A responsabilidade individual nesse momento se reflete numa tradução literal do seu impacto em âmbito global. Tomar todas as precauções que estão sendo amplamente divulgadas na mídia internacional vai além de um ato de prevenção à doença: é acima de tudo um ato de solidariedade com o próximo.

COVID-19 e a sua dieta

É importante introduzirmos esse assunto salientando que a alimentação não substitui as medicações, visto que os mecanismos de ação delas são bem distintos. Mas uma alimentação equilibrada faz suas medicações atuarem mais facilmente, tornando sua recuperação muito mais rápida e com menos efeitos colaterais.

Alimentos e medicações: diferenças básicas nos mecanismos de ação

O principal erro das pessoas buscando uma melhoria da saúde por meio da alimentação é acreditar na existência de alimentos ou nutrientes milagrosos que farão maravilhas para seu organismo. Quanto mais exótico, mais a indústria de alimentos e suplementos fatura dinheiro em cima de falsas promessas. O problema vem da nossa cultura de remediar ao invés de prevenir. Ao invés de mudarem o estilo de vida para gozarem de uma boa saúde, muitos acham as mudanças muito penosas e continuam apostando em descobertas científicas obscuras em forma de pílulas ou alimentos mágicos que prometem resolver seus problemas sem muito esforço.

Existe uma grande diferença entre o efeito químico dos alimentos no corpo em comparação ao efeito de um medicamento. Uma grande parte dos medicamentos vão atuar de forma rápida na reposição ou na inibição de enzimas, hormônios ou outras formas de peptídeos. Os alimentos não atuam assim. Eles atuam indiretamente como precursores dessas substâncias, fornecendo os blocos construtores de enzimas e hormônios, ou diretamente alterando a flora bacteriana intestinal e gerando reações enzimáticas e hormonais. É o equilíbrio entre fatores nutricionais que pode trazer benefícios à sua saúde, e não o consumo isolado de um superalimento ou suplemento. Por exemplo, o equilíbrio entre carboidratos, proteínas e ácidos graxos ingeridos em uma refeição na proporção 40-30-30, respectivamente, regula a produção dos hormônios insulina e glucagon no pâncreas por até 5 horas após essa refeição, conforme demonstrado pela Universidade de Harvard em 1999, no periódico Pediatrics. Mas o consumo isolado desses nutrientes, causa desequilíbrio na produção pós-prandial desses mesmos hormônios.

Vamos falar então de algumas combinações de alimentos que melhoram a atividade das estruturas físicas e químicas envolvidas em seu sistema imunológico e que lhe proporcionam uma maior chance de combater e se recuperar de doenças infecciosas.

Precursores Inflamatórios e de Resolução: Ômega-6 e Ômega-3

Inflamação e Resolução precisam estar balanceadas para que nosso sistema imunitário esteja otimizado. O bloco construtor dos mediadores inflamatórios é um ácido graxo do tipo Ômega-6 chamado de Ácido Araquidônico (AA), encontrado principalmente em gemas de ovos, carnes gordas, vísceras e peles de animais. Além disso o AA pode ser sintetizado a partir do Ácido Linoleico (LA) presente em óleos vegetais de soja, milho e girassol, quando o hormônio insulina está elevado em seu sangue.

Por outro lado, os mediadores pró-resolução (SPMs) são sintetizados a partir dos ácidos graxos Ômega-3 Ácido Eicosapentaenóico (EPA) e Ácido Docosahexaenóico (DHA), ambos encontrados em peixes de água marinha e frutos do mar. Estudos nos últimos anos mostram que para a inflamação e a resolução estarem funcionando de forma orquestrada, o consumo de AA e EPA devem estar numa proporção próxima a 2:1, porém a população brasileira encontra-se com essa média próxima a 18:1, segundo pesquisa conduzida pela Universidade de São Paulo (USP), publicada na Nutrition em 2017. Estamos gerando muito mais precursores pró-inflamatórios do que os pró-resolutivos.

Ingerir mais peixes de água marinha ou suplementos de óleo de peixe poderiam ajudar a tornar essa razão AA:EPA mais próxima de 2:1, por exemplo, ingerindo-se 300g de salmão por dia. Porém isso pode trazer riscos à sua saúde considerando os altos índices de contaminantes encontrados nos peixes água marinha e suplementos de Ômega 3 de peixe. Apesar do EPA e DHA serem os únicos precursores das SPMs / resolvinas, para que isso aconteça você precisa de doses diárias adequadas. Se além de doses inadequadas de EPA e DHA, sua dieta não for trabalhada para se reduzir o consumo e síntese dos Ômega 6 inflamatórios, você vai ficar “enxugando gelo”.

Melhorar a alimentação deve ser o primeiro passo antes de se pensar em repor EPA e DHA. Dessa forma é possível reduzir drasticamente o consumo de alimentos ricos em Ômega 6 inflamatórios fazendo com que a sua necessidade de reposição de Ômega 3 não seja tão elevada. Caso a sua condição clínica requisite uma dose maior de EPA e DHA do que outras pessoas para atingir níveis adequados em seu sangue, essa reposição deve ser planejada com um produto que garanta níveis altos de EPA e DHA em conjunto com níveis muito baixos de metais pesados e PCBs (Bifenilos policlorados). São suplementos de óleo de peixe de alta concentração ultra purificados.

A razão entre Ômega 6 e Ômega 3 vem sendo alvo de pequisas também nos casos de doenças respiratórias, como demonstrado em inúmeros artigos científicos, inclusive em um artigo recente publicado em Novembro de 2019 em pacientes com DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) por pesquisadores da Universidade de Johns Hopkins nos EUA. Esse estudo cuidadosamente conduzido demonstrou que quanto mais próximo o perfil de Ômega 6 / Ômega 3 na corrente sanguínea de 2:1, maior é a proteção de pacientes portadores de DPOC contra mortalidade e crises da doença.

Sua barreira física imunológica e o consumo de fibras fermentáveis e polifenóis

Uma grande fonte de inflamação no seu corpo e ativação do seu sistema imunológico reside no seu intestino. Estima-se que ele seja lar de 38 trilhões de bactérias, aproximadamente o mesmo número de células que você tem em todo o seu corpo. Ao menos 40% dos compostos químicos circulantes em sua corrente sanguínea essenciais à sobrevivência e qualidade de vida são metabólitos provenientes dos mais de 4 mil tipos diferentes de bactérias que vivem no intestino.

Ao longo da vida, uma alimentação pró-inflamatória e o uso de medicações anti-inflamatórias e antibióticos recorrentes diminuem a variedade de bactérias vivendo em nosso intestino, agredindo as duas barreiras físicas do seu sistema imunológico que separa sua corrente sanguínea desse mundo microbiano: a mucosa e o epitélio intestinal. A chave para manter o equilíbrio dessas barreiras reside no consumo adequado de fibras fermentáveis e polifenóis.

As fibras fermentáveis são encontradas em legumes, em maior no brócolis, couve-flor e aspargos, e são utilizadas pelas bactérias do seu intestino como alimento, sendo metabolizadas por elas em AGCCs (ácidos graxos de cadeia curta), que serão utilizados pelas células do seu intestino para formar a mucosa intestinal, sua primeira linha de defesa contra as bactérias intestinais.

Já os polifenóis são as estruturas químicas que dão cor aos alimentos. Mais de 90% dos polifenóis estão presentes na casca das frutas e legumes, menos de 10% em seu interior. Para consumir mais polifenóis você precisa aumentar a ingestão de frutas e legumes com a casca. Os polifenóis têm sido alvo de muitas pesquisas nos últimos anos mostrando serem eficazes no aumento da variedade das boas bactérias presentes no intestino, além de aumentarem a atividade de uma enzima responsável pela reparação celular e resolução da inflamação, a AMPK. Existem mais de 8 mil tipos diferentes de polifenóis conhecidos na literatura científica atual e a grande maioria deles são excretados pelas fezes. Apesar disso, o seu benefício reside no fato de atuarem no cólon antes de serem excretados, aumentando a variedade de bactérias boas que o colonizam e a reparação dos danos ao epitélio intestinal.

Vitamina D

Pesquisas realizadas na Universidade de Copenhagen há 10 anos e validadas em estudos posteriores, mostraram que a Vitamina D é fundamental na ativação do nosso sistema imunológico, e sua insuficiência no sangue gera deficiência de células T killer, dificultando a reação do corpo em combater infecções no organismo. Apesar de ser possível ingerir Vitamina D em forma de suplementos ou do consumo de alimentos ricos nessa vitamina, existem indicações de que o metabolismo hepático durante o processo digestivo pode alterar a sua atividade no organismo humano. A forma mais ativa dessa vitamina natural é conhecida popularmente como o “hormônio do sol” ou a “vitamina do sol” por ser produzida pelo seu corpo ao expor sua pele aos raios solares. Portanto, monitore seus níveis de vitamina D com seu médico e avalie a melhor forma de manter níveis normais dela em seu sangue, seja por banhos de sol ou por reposição.

Recapitulando e Simplificando…

Sua imunidade depende das barreiras físicas, como a mucosa intestinal e o epitélio intestinal, além do equilíbrio químico entre inflamação e resolução. Desde que a alimentação seja encarada como uma medicação a ser tomada nas doses e horários certos, ela aumenta as chances de fornecer um ambiente favorável e os nutrientes que manterão seu sistema imunológico otimizado e a sua saúde protegida.

Na dúvida, recorra aos sábios conselhos de nossos pais e avós: não levante da mesa antes de comer todos os seus legumes e verduras, saia da frente da televisão e “vai brincar no sol”, não saia de casa sem tomar seu óleo de peixe, evite o consumo frequente de alimentos industrializados e consuma uma boa porção de proteínas magras (claras de ovos, filés de peixes, carnes magras etc). E se quiser seguir o provérbio do final do século 19 “an apple a day keeps the doctor away” (uma maçã por dia mantém o médico longe), lembre-se de comer a casca!

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